Primeiras Impressões: Ajin

Ajin

Num universo alternativo uma nova espécie de seres imortais começa a aparecer na Terra, chamados Ajin. Devido à sua raridade estes são alvo de escrutínio social e científico enquanto a humanidade tenta compreender a sua origem e a dos seus poderes. A história segue Nagai Kei que após sobreviver a um atropelamento mortal, descobre ser um Ajin e foge da sociedade que o tenta capturar como objeto de estudo.

Adaptado de um mangá com o mesmo nome pelo estúdio Polygon Pictures (responsável por Sidonia Kishi da primavera do ano passado), Ajin era grandemente esperado devido à comoção que os fãs do material original causaram.

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A história de Ajin após este primeiro episódio tem uma ideia base interessante mas no cômputo geral não faz muito sentido. A segregação social face aos Ajin tem pouco ou nenhum impacto considerando que “como ninguém sabe ao certo” de onde eles vêm ou como eles existem, para além do facto de “não serem humanos”. 90% do mundo pode ser Ajin e não saber (tal como aconteceu ao personagem principal), uma vez que a única maneira de realmente saber é colocar a pessoa numa situação em que ela morra e verificar se de facto isso acontece ou não.

Estes problemas podem contudo ser resolvidos à medida que a série se desenrola, caso contrário duvido que o mangá tivesse recebido tantas críticas positivas. Contudo títulos recentes como Tokyo Ghoul (do o qual este primeiro episódio de Ajin se aproxima bastante), nunca explicam o setting a este nível, daí a minha preocupação.

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A animação 3D (CGI) é aceitável (está explicado o nome do estúdio) apesar do estilo de animação a tempo inteiro ainda está longe de ser perfeito. Falta encontrar equilíbrio entre as dimensões e conseguir harmonizar os meios e as tecnologias. O CGI é bastante óbvio por causa da forma excessiva como as coisas (e.g. o cabelo) se mexem e também como a existência artificial de sombras e gradientes.

O conflito que surge quando algo que é feito para representar três dimensões é obrigado a reduzir-se a duas está longe de ser ultrapassado. Se o futuro da animação passar por modelação em 3D então será necessário dar liberdade ao estilo para experimentar e evoluir. Porque é claro por exemplos como RWBY ou God Eater que este tipo de animação não vai desaparecer assim tão cedo, pelo contrário, sendo estes dois bons exemplos de animação 3D a evoluir ao longo do tempo e da série para a qual foi feita (no caso de RWBY, melhorando significativamente ao longo do tempo e no caso de God Eater, estagnando ou mesmo baixando de qualidade a cada episódio). Contudo é necessário compreender que tal como é necessário prática e talento para desenhar frames, o mesmo é requerido quando se faz animação de modelos 3D, onde não se pode esperar à partida a mesma qualidade visual que atualmente esperamos de estúdios como Kyoto Animation, que não só trabalham no meio à anos como levaram outros tantos a aperfeiçoar o estilo que agora utilizam.

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opening é de qualidade mediana, não trazendo nada de novo ao episódio. Suponho que a paleta de cores atenta induzir um tom mais sério e obscuro mas para este episódio esse efeito não foi obtido. O estilo de apresentação das várias personagens é algo que atualmente é demasiado utilizado, sendo principalmente redundante quando a quantidade de personagens não é grande o suficiente para o justificar.

A comparação entre o modelo 3D e o concept art das personagens durante a sequência  foi algo que me incomodou. Não faz sentido mostrar à audiência algo que não corresponde à realidade da animação da série, se é para ser 3D tem que se assumir que é 3D e pronto.

Por outro lado o ending tinha visuais mais interessantes, que apesar de não representarem o estilo do anime, não misturam diferentes conceitos. A sequência representa a batalha dos Ajin contra a sua imortalidade, quer cometendo suicídio numa tentativa de serem “humanos” ou sofrendo experimentação em nome da ciência. Contudo, tendo em conta que na realidade estes eventos são redundantes visto que eles não morrem, o tom melancólico do tema parece uma tentativa que vitimizar os Ajin face ao resto da humanidade.

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Avaliação

Não sabia bem o que esperar de Ajin, uma vez que não li o mangá, mas estou curiosa para ver como a animação vai transmitir o fator “horror” que me comprou a ver o anime e também como esta CGI evoluirá com a série. O próprio conceito de Ajin e o seu papel na história confunde-me pois parece que somos forçados a escolher um lado, neste caso o dos Ajin, que são descriminados e caçados pelo resto da sociedade quando objetivamente não haveria necessidade de toda essa segregação se houvessem tentativas de compreender os Ajinde pacíficamente e consentimentalmente, pois pelo que vimos, nem eles próprios conhecem bem as suas circunstâncias.

Também estou interessada para ver onde este guião irá parar, de preferência não ao pé de outras séries que sofrem de problemas semelhantes de deficiente desenvolvimento social e do mundo quando é o impacto que estes têm nas personagens que é suposto estar em foco (estou a olhar para vocês Tokyo Ghoul e Psycho Pass).

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MyAnimeList: Ajin

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