Kyoukai no Kanata – Análise

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No Outono de 2013 a Kyoto Animation aventurou-se com Kyoukai no Kanata (Beyond the Boundary, ou Pará Lá da Fronteira), apostando numa série de ação pela primeira vez desde a colaboração com o estúdio Sunrise para fazer o filme InuYasha: Kagami no Naka no Mugenjo em 2002 (e já não era sem tempo).

É verdade que Kyoukai no Kanata tem elementos de ação e lindas coreografias, mas o estúdio-mestre do slice of life não abdicou da sua zona de conforto (nem desistiu de adaptar light novels), por isso obtemos 13 episódios desta mistura improvável.

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Sinopse:

Kuryama Mirai é a única sobrevivente de um clã de Spirit World Warriors que utiliza o seu sangue como arma contra “youmo”s, criaturas de origem sobrenatural, fruto das emoções negativas da sociedade.

Kanbara Akihito, por sua vez, é um jovem meio-youmo (que para todos os efeitos é imortal) que passou toda a sua vida vítima de tentativas de assassínio, acaba a ajudar Mirai a melhorar as suas capacidades e capturar outros youmo numa tentativa de tentar que ela pare de o tentar matar.

Ambos acabam por juntar-se aos irmãos Nase, pertencentes a uma ancestral família de Spirit World Warriors à medida que novos e estranhos eventos ocorrem à volta dos membros do clube de literatura da secundária Nagatsuki.

historia

A história de Kyoukai no Kanata pode ter diversas interpretações, especialmente em relação ao final. Como, pessoalmente, considero que o últimos minutos do anime  arruínaram completamente o climax para o qual os últimos três episódios tinham estado a caminhar vou ignorá-lo.

Ao princípio a fórmula da série é bastante simples: Mirai tem como objetivo capturar youmos de forma a poder trocá-los por dinheiro e conseguir alimentar o seu voraz apetite sobreviver, tendo muitas vezes a ajuda de Akihito e/ou dos irmãos Nase.

À medida que os episódios passam temos vislumbres da verdadeira natureza das personagens, as suas circunstâncias passadas e atuais. Para ser sincera, a brutalidade de alguns destes detalhes foi bastante surpreendente, contudo, e ao contrário do que seria de esperar, as personagens pouco se alteram após serem confrontadas com os demónios do seu passado. Isto corrobora a inconsistência de tom da série ao longo do seu percurso e com a imprevisível dualidade das personagens, super happy-go-lucky um segundo para serem super emo no seguinte. Nem ignorando o episódio seis existe algo semelhante a consistênica neste anime…

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Exageros à parte, este é o grande problema que eu tenho com esta série… Ser incapaz de decidir se quer ser completamente happy-go-lucky ou ir até ao fundo com a destruição psicológica das suas personagens. O culminar deste fenómeno é, de facto, a maneira como o anime acaba. Sem spoilar demasiado, o último minuto do último episódio anula não só qualquer lógica por detrás dos últimos episódios mas também o seu tom.

personagens

No campo das personagens, as de Kyoukai no Kanata encaixam-se na prateleira de “ou se amam ou se odeiam”. Apesar de nenhum dos protagonistas se mostrar particularmente original acabam por transmitir uma aura orgânica e muito própria, contudo grande parte do que faz os personagens parecerem tão humanos deve-se à enorme quantidade de detalhes que a animação introduz.

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No que toca aos personagens principais, leia-se Kuryama Mirai e Kanbara Akihito, estes não causaram grande impressão. Não eram clichés (como alguns personagens secundários que abordarei de seguida) mas também não tiveram desenvolvimento suficiente para se tornarem verdadeiramente em personagens donos de uma personalidade original e definida. Ambos tinham uma tentativa de desenvolvimento com a introdução das suas histórias, contudo (e tal como o tom da série), o desenvolvimento e a influência mais obscura dos seus passados era apenas parcial e não a tempo inteiro, como seria de esperar.

No que toca às personagens secundárias nenhuma foi particularmente marcante ou única, sendo estas basicamente encarnações de fetishes (pervy onii-chan, kawaii imouto e uma literal cat girl). De longe a personagem que mais me interessou foi Shindou Ayaka, pelo elo que estabelecia ao mundo em que o anime se passa. Contudo, como o mundo não foi muito desenvolvido as suas personagens acabaram por não ser tanto quanto podiam.

animaçao

Uma vez que Kyoukai no Kanata vem do estúdio Kyoto Animation não há muito a dizer em termos de animação.

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A animação é fluida e detalhada dando aquela camada de personalidade a cada frame, algo que já é uma característica do estúdio. As cenas de ação estão bastante bem animadas transmitindo um sentimento de tensão e perigo que achei bem apanhado.

design de personagem era bastante realista, aproximando-se de coisas como Hyouka ou Hibike Euphonium em vez dos designs principalmente a nível de cabelo de animes como Clannad ou Amagi Brilliant Park (todos do mesmo estúdio).

Em termos de Artstyle, em geral, a série é bastante mediana. Apesar disso o estilo adequa-se bem ao tipo de animação aplicada aumentando a impressão de uma animação fluida. Elementos como os phantoms podiam ter sido melhor desenvolvidos, contudo, isto não diminui o mérito visual do anime.

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som

Existe uma dobragem inglesa de Kyoukai, pela Sentai Filmworks, que é bastante boa. Na generalidade os actores conseguiram capturar a essência de cada personagem sendo uma boa opção áudio. Normalmente não encontro problemas com as dobragens originais, mas neste caso a escolha de Ayako Kawasumi (Saber – Fate/stay night Fate/Zero) como Nase Izumi foi algo que não me pareceu adequado à atitude que Izumi tentava transmitir, preferindo a sua contraparte inglesa, Carli Mosier.

A banda sonora de Kyoukai no Kanata é bastante versátil, adaptando-se às diversas facetas da série. Composta por Ito Masumi (Azumanga Daioh e Haibane Renmei) a banda sonora é uma compilação de diferentes emoções e atmosferas, sendo por vezes incrivelmente doce ou palerma e por outras repleta de ação e suspense. Pessoalmente acho que são as músicas com carácter místico que conferem a esta banda sonora o seu carisma, sendo provavelmente Sukoshi Fushigi na Sukoshi Fushigina Monogatari no Kaimaku e Youmu to Ikaishi as melhores provas disso. Numa sonoridade semelhante à de Noragami e Shinsekai Yori, são nestas peças que transpira o lado mais original da série.

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Quer os créditos iniciais como finais fogem à regra. Ao contrário do que é habitual o opening pouco faz para nos apresentar as personagens, algo habitual dentro do género, em vez disso fazendo alusões inteligentes a aspetos do passado ou psique das personagens, sem na verdade estragar nenhuma surpresa. A música para esta sequência apresenta-se recheada de batidas fortes apesar das letras melancólicas, sendo de novo uma alusão às personagens e à maneira como olham para a vida.

O ending por sua vez apresenta-se mais sóbrio mas com um tom geral mais otimista que o opening, podendo representar a forma como as personagens se alteraram, modificando a sua atitude em favor de uma visão menos melodramática dos erros cometidos no passado. Lindamente animado e com uma rápida e colorida transição de frames ao som de “Daisy”, este é um ending a não saltar.

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Avaliação

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